Este blog não pretende contar uma história, quer contar várias, tantas quantas acontecem e possam ser registradas, à medida que acontecem ou simplesmente surgem na lembrança. O único vínculo entre elas é o lugar onde acontecem, o bairro mais ilustre do Rio de Janeiro: Copacabana.




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29.11.06


Está ficando muito caro comer por aqui. Café da manhã
reforçado, um suco talvez, mas algo rápido de se fazer, afinal de contas,
as cozinhas em Copacabana não costumam ter lá muito espaço.
Por que comigo seria diferente? Só faltaram umas fatias de bacon, fora
isso dá para segurar até umas três da tarde.
Na volta para casa, Balbek ali na Menescal com certeza!

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22.11.06

Por que o trânsito de Copacabana está cada dia mais caótico? Não tem agora duas estações de metrô? Será o fim de ano? A chegada do Verão? Delírio deste autor? Corrijam-me se eu estiver errado.
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13.11.06

Voltava para casa cansado depois de quase 14 horas gritando pelos quatro ventos toda sorte de diabo quanto pudesse evocar. Nunca acreditou no mundo fascinante que aprendeu na faculdade e já sabia mais cedo ou mais tarde cair em si e ver com seus próprios olhos a mentira deslavada que era a vida, algo medíocre e futilmente pacato. Pensou ter visto aquele rosto em algum lugar. Na verdade era igual a uns tantos outros de todos os dias, no mesmo caminho, talvez no mesmo ônibus e naquela mesma semana. Já não guardava nomes e rostos há muito tempo.

O celular toca e disse estar chegando em casa para a esposa. Mentira, era só para acalmá-la e fazer esperar porque esta noite iria finalmente jantar com ela depois de tanto tempo. Mal dava conta das horas, tem chegado em casa quando todos já foram dormir, e sai antes que alguém acorde. Definitivamente está de passagem por ali. Ela entendeu e disse esperar. Alguns minutos depois o ônibus quebra na altura da Hilário de Gouveia, na frente do Pão de Açúcar. Excelente, longe demais do metrô para chegar a tempo e talvez perto o suficiente daquele Pub logo ali na frente. Como se aquilo pudesse ser chamado de Pub. Ali, na Paula Freitas. Aliás, há muito tempo não se tem um bar decente neste bairro. Essa revolta toda era porque antigamente a todo lugar que frequentava por ali os garçons sabiam seu nome e sempre tinha algum freguês que sorria e puxava conversa, gritava do outro lado do balcão e até pagava um. Dias de jogos do Flamengo era na esquina da Santa Clara, perto de onde morava. Gostava de rir sozinho com a desgraça alheia. Claro que é vascaíno.

Resolve visitar o velho apartamento. Devia ter alguma conta para pagar, e claro, atrasado como todo mês. A família resolveu não alugar, então ficou ali para qualquer coisa. De repente poderiam vir visitá-lo e ficar em Copacabana. Assim não precisariam encarar a mulher que escolheu nem a família bastarda que seus pais nunca gostariam de ter. Ele achou melhor viver do que padecer sozinho dentro de um apartamento todo feito conforme o gosto alheio. Tirando a geladeira e a televisão, todo o resto fora idéia deles, seus pais. Não os culpa, mas também sente remorso por não ter sido tão duro naquela época quanto fora agora.

O porteiro ainda se lembra dos papos. A conversa é curta como de costume. Abre a caixa de correio, pega um maço de envelopes, enfia na bolsa e passa um vizinho olhando torto com quem diz "quem é essa pessoa mexendo nas caixas de correio?". Quase cospe e grita alguma besteira, afinal de contas passou mais de seis anos ali aturando as putas, travestis, velhos em cadeiras de rodas e toda sorte de gente que vive no bairro. Nunca reclamou. Aquilo não fazia diferença alguma.

Saiu do prédio tão rápido quanto entrou. Não foi nem ao apartamento ver as coisas. Ainda tem muitas coisas lá. Acho que nunca vai se desfazer delas, como tantas outras coisas que nunca irá se desfazer ao longo da sua vida. Isso inclui pessoas principalmente.

Pegou o metrô e finalmente chegou em casa. Semana que vem conta outra história.
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11.11.06


Um ótimo lugar para matar aquela fome no meio da madrugada.
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