Este blog não pretende contar uma história, quer contar várias, tantas quantas acontecem e possam ser registradas, à medida que acontecem ou simplesmente surgem na lembrança. O único vínculo entre elas é o lugar onde acontecem, o bairro mais ilustre do Rio de Janeiro: Copacabana.





18.10.06

E PORQUE COPACABANA PAROU ONTEM DE MANHÃ
Eram umas oito da manhã. A linha 154 que costumava fazer seu trajeto em menos de 20 minutos perdeu mais de uma hora de meia até chegar ao seu destino. Perdeu, porque a maior parte deste tempo ficou praticamente parada na Barata Ribeiro. Qualquer um que quisesse ir de Copacabana a Ipanema teve a infeliz intervenção da Polícia Militar ali pela altura da rua Rainha Elizabeth. Era mais uma blitz que tumultuava o trânsito da manhã, que já é suficientemente caótico neste horário.


De tudo parecia uma blitz legal, seguindo o procedimento padrão, mas por outro lado completamente indevida. Não se sabe o por que deste horário, somente o efeito que ela produziu, um caos que começou na Rainha Elizabeth e se estendeu até a Santa Clara. Infelizmente não deu para captar uma boa imagem, a máquina digital não estava a mão, mas valeu gastar alguns créditos do celular para captar este absurdo no bairro.


Aliás, não foi só Copacabana que parou. Nosso presidente resolveu fazer um comício bem na terça feira, final da tarde, no Centro. Ônibus e carros não podiam trafegar pela Rio Branco, provocando outro congestionamento monstro na cidade. O metrô ficou lotado como se fosse o reveillon de Copacabana. Milhares de trabalhadores de verdade querendo voltar para casa e um bando de vagabundo gritando o nome de uma praga que nos inferniza a quatro anos e que pelo jeito vai continuar por mais outros quatro!
fonte: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2006/mat/2006/10/18/286141766.asp


Por falar em trânsito, a estrela internacional Robbie Williams também vai ajudar bastante nesta quarta feira. O show que fará hoje na Apoteose irá mudar completamente o tráfego em muitas ruas do Rio. Se a chuva que começou pela manhã não for suficiente para parar esta cidade pelo menos a baderna está garantida! Confesso que nunca ouvi uma música dele, mas depois disso vou ter menos motivos ainda para pensar o contrário.
fonte: http://oglobo.globo.com/rio/transito/mat/2006/10/17/286127615.asp


No Rio de Janeiro é assim, se não são as autoridades acaba sendo um pinto de fora para foder a nossa paciência. Carioca sofre!
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12.10.06


Drummond, meu cúmplice São umas sete e quarenta e cinco da manhã, aqueles preciosos quinze minutos antes das oito que a gente ainda se dá ao direito de cochilar antes de enfrentar o dia. É uma ilusão acreditar que quinze minutos podem fazer alguma diferença para a vida da gente. Na verdade fazem, é o que separa o momento em que um piano cai na sua cabeça ou um carro pode te atropelar, basta parar no meio do caminho e se distrair com algo para que a diferença faça... diferença. Levanto correndo, visto uma bermuda e cato minhas tralhas. Dou um beijo nela e meio sonolenta me respode. Às vezes saio para trabalhar direto da casa dela, quando deixo alguma peça de roupa limpa lá, ou quando realmente saio atrasado e acabo me virando com o que tem à mão. Na maior parte das vezes acabo saindo tarde tanto da casa dela quanto da minha. A distância não é grande, mas as distrações são diversas. Desviar de bosta de cachoro, manchete na banca de jornal, papo com o paraíba da lanchonete, um olá para o Salvador (da banca de jornal), uma bunda (ou duas), comprar leite, esquinas e uma obra no meio, idosos no caminho ocupando a calçada, mendigo, um puto na bicicleta te corta ou quase te atropela, pedras, sinal, carros, ônibus e finalmente o porteiro. Chegar em casa coincide com uma besta vontade de ir ao banheiro. Vontade que dá já no meio do caminho, mas acabo pensando em outra coisa e esquece a tempo de pegar o elevador, torcendo para não encontrar com nenhum vizinho que atrase o percurso. Acabo saindo de casa sem tomar café, até porque um copo de leite ou suco é todo meu café da manhã, coisa da dieta. O banho fora rápido, tomo frio para não ficar de medo da água logo e já sair sem demora. Normalmente a parte da manhã está quente e uma coisa acaba anulando outra. Já quando se coloca o pé na rua todo o frescor do desodorante e da água fria virou suor. Não cheira mal, mas as costas molhadas incomodam, principalmente quando levo a mochila. Volta e meia procuro passar perto destas lojas com ar condicionado ou ventilador que escapa pela porta, um alívio curto mas que em quantidade acaba surtindo efeito. Dentro do ônibus não é diferente. Janela, sempre na janela. Não adianta muito também, o vento que vem da rua é sempre quente. O ponto onde vou descer é longe do trabalho, antes era mais perto, mas também era em outro bairro, pegava o metrô e não tinha metade do aborrecimento que tenho hoje. Uma distância que se faria em menos de dez minutos se transforma em trinta, ou mais, dependendo da hora em que saio ou da paciência dos cariocas em seus carros. Uma moto, isto resolveria minha vida e ainda por cima traria muitas alegrias. Desce do ônibus e já começa a se distrair de novo. Mais bancas de jornal, carros, bundas, algumas motos, ruas, procura sombra que o sol já está mais quente, não tem lojas apenas o correio e não tem mesmo, pára em uma loja de conveniência do posto de gasolina - que tem ar condicionado - compra um suco de caixinha ou então uma coca light, a última faz mais efeito e a primeira realmente alimenta. Tenta mais um banca de jornal, normalmente dou sorte porque sempre chega em uma banca e não em outra. Apenas dia sim dia não, porque não sou um cachorro que não pode ver poste que quer regar. É quase. E finalmente dou de cara com o portão do casa, sim, meu trabalho é em uma casa, bairro residencial. Aperta o interfone e consegue respirar, porque para variar, tem uma ladeira no caminho - não é muito íngreme, mas depois de algumas bons quarteirões até meio fio cansa. Primeira satisfação: ar condicionado, vento gelado no suor é algo indescritível, quase sexual. Segunda satisfação: às vezes chego na minha sala e não tem ninguém, isso dá uma falsa impressão de que cheguei cedo, acabo também escapando de alguma reunião ou problema psicológico alheio. Terceira satisfação: chegar depois das 10 faz a manhã passar rápido, até você finalmente fazer algo produtivo já é hora do almoço, mais um motivo para postergar para a parte da tardem por mais importante que seja, ou sacar o telefone e ligar para o fast food mais próximo que tiver, torcer para que este dia não seja mais uma daquelas viradas em que você vivia tendo. O dia passa e tudo o que você pensa é naquela cama macia com meu amor deitada, o gato no pé, o ventilador/ar condicionado ligado, um filme talvez e que o dia seguinte seja sábado, porque segunda feira é definitivamente o pior dia da semana.
Sim, de repente eu gosto mesmo de reclamar da vida. Ainda bem que moro em Copacabana, qualquer coisa vou pro calçadão e peço uma cerveja ao lado de Drummond.
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