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Este blog não pretende contar uma história, quer contar várias, tantas quantas acontecem e possam ser registradas, à medida que acontecem ou simplesmente surgem na lembrança. O único vínculo entre elas é o lugar onde acontecem, o bairro mais ilustre do Rio de Janeiro: Copacabana.
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2.9.07
27.8.07
Já não se fazem mais botecos como antigamente Notícia que saiu hoje no Jornal O Globo, pertinente neste blog, afinal de contas estamos falando de um dos símbolos da boemia: Policiais encontram 185 quilos de alimentos vencidos e sem identificação no Belmonte Publicada em 27/08/2007 às 19h37m Patrícia Sá Rêgo - O Globo Online RIO - Policiais da Delegacia do Consumidor (Decon), com o apoio da Vigilância Sanitária, encontraram 185 quilos de frango, peixe e carne impróprios para o consumo no restaurante Boteco Belmonte, na Rua Jardim Botânico 617, na Zona Sul do Rio, nesta segunda-feira. O frango estava com a data de validade vencida e o peixe e a carne não continham registro de identificação e procedência. De acordo com a médica Zenaide Souza, responsável pelo núcleo de Divulgação e Informação da Vigilância Sanitária, o estabelecimento foi autuado por usar produtos com validade vencida e sem identificação e terá que pagar duas multas no valor total de R$ 1.356,00. Ainda de acordo com a Vigilância Sanitária, o gerente do Belmonte foi preso e os alimentos serão inutilizados. O estabelecimento não foi fechado, porque os alimentos com a validade vencida estavam em um estoque, fora da cozinha. Você costuma visitar a cozinha dos restaurantes que freqüenta? Clique aqui para responder O designer Leonardo Queiroz freqüenta o restaurante do Jardim Botânico há pelo menos dois anos e ficou surpreso ao saber do resultado da operação policial. No último sábado, ele encomendou por telefone uma refeição com carne ao Belmonte. Assustado, pensa no risco que seu filho, de apenas um ano, poderia correr, caso comesse carne estragada. Ele disse ainda que não irá tão cedo ao estabelecimento. - Não pretendo comer lá por enquanto, até que essa história seja esclarecida. De repente, viro até vegetariano - disse o designer. Por meio de e-mail, a assessoria de imprensa da rede Belmonte informou que divulgará uma nota oficial sobre o caso nesta terça-feira: "Uma apuração interna sobre os fatos ocorridos nesta segunda-feira, na filial do boteco Belmonte do Jardim Botânico, está em andamento. Nesta terça-feira, uma nota oficial será distribuída à mídia." O caso do 'bacalhau mal-intencionado' No início do mês, o empresário Mário Frering e a mulher, Paula; Wilma Lerner e seu genro, Leon Goldberg, disseram ter sido internados depois de comer bacalhau no restaurante Antiquarius, segundo noticiou o colunista Ancelmo Gois, no jornal O Globo. Eles queriam que o restaurante pagasse as contas dos hospitais. Já o advogado do Antiquarius, Sérgio Bermudes, rechaçou a possibilidade de intoxicação e disse que, para algo assim acontecer por lá, "o bacalhau já tem de sair da água mal-intencionado". Segundo Bermudes, na noite em que o grupo jantou no restaurante foram servidos 71 pratos de bacalhau, sendo 20 à moda Antiquarius, do tipo servido aos quatro demandantes. Ninguém teria procurado a casa para relatar qualquer problema. - O restaurante existe há 30 anos e nunca recebeu queixa dessa natureza. Num juízo de probabilidade, eles devem ter comido alguma outra coisa, não no restaurante, talvez uma empada ou um pedaço de salsicha em algum lugar. fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2007/08/27/297442821.asp (in)Felizmente não foi em Copacabana que aconteceu, até porque a turma aqui gosta muito da casa e lamenta muito isto. Sou testemunha ocular, e o vaso sanitário lá de casa está de prova, que nunca passamos mal com nada que comemos no Bel, um apelido carinhoso que nós e muitos frequentadores adotamos. Até porque, vejam vocês:
Não vamos muito lá para comer. Enquanto o chopp estiver na validade vamos que vamos!!!! e comentários... 13.8.07
Por que toda pastelaria tem um japonês do outro lado do balcão? A Miss Japão sofreu um acidente e a nossa mineirinha assumiu o cargo de Miss Universo. Foi mais ou menos assim que o dia começou, um sonho maluco de uma vitória tupiniquim sobre a desgraça alheia. Um bando de motociclistas bêbados julgariam melhor aquele concurso, nunca deixaram Angola de fora. Na verdade deixaram ela e todas as outras candidatas com tudo de fora, afinal de contas estamos falando de mulher, não de biquinis ou vestidos de gala. A primeira parte é completamente descartável, ninguém quer ver trajes típicos. Façamos uma prova de "pegar cerveja na geladeira na gaveta de baixo", a melhor traria ela gelada e com os faróis acesos, sem derramar nada. Outra prova, "camisetas molhadas"! A japonesa não ia ganhar essa nem fudendo! Talvez a tcheca ganharia, porque cara de vagabunda tinha. Boicote ao sushi! E eram coisa de 2:30h da matina e pensava já ser a hora de levantar. Ledo engano, era só uma vontade imensa de ir ao banheiro. Por pouco sua bunda não chega a tempo no trono. Nunca mais come uma caixa de Bis antes de dormir, se bem que aquele monte de picanha do pedido da Parmê teve sua parcela de culpa. - Você não pára quieto! Deita e dorme, humpf! Resmunga qualquer coisa de volta e ela volta a dormir. Volta para cama depois de destruir parte da camada de ozônio e curte menos de quatro horas de sono. Não tirava da cabeça a idéia de refazer as provas do concurso, talvez a brasileira não chegasse a segundo lugar. - Tenha um bom dia querida. - MLLHMWTRRR... - Também te amo. O gato já não estava mais sobre a cama, a casa ainda não tinha acordado por completo mas já havia café pronto, frio, a garrafa térmica é uma peça de decoração incompreendida pela empregada. Ontem acabou o sal, nem ligou. - Por favor, gostaria de pedir um táxi. - Para agora, senhor? - (Não! Para o Natal!!) Sim, para agora. Já quase perdendo a hora pega o táxi rumo a São Januário, pega um belo trânsito até o Santa Bárbara, desiste de comer algo no caminho e não discute sobre futebol, mulher ou a porcaria do clima com o taxista. Ambos calados, para felicidade dos dois. Nada pior do que muito papo pela manhã. - Aprovado! Pode rodar. - Cliente vai gostar? - Vai, já avisamos a ele como ficaria. - Sem problema então. Aquela chuva marota já havia cessado, ia para o escritório de ônibus mesmo, já gastava táxi demais por conta do trabalho e não custava nada caminhar um pouco. Precisa até correr mais e dia desses ia precisar mesmo voltar ao bom hábito de fazer exercícios mais de três vezes por semana, se quisesse passar dos cinquenta sem nenhuma seqüela vascular. Fez muito bem em não arriscar em nenhum salgado da Rua São Januário, era guloso mas não era suicida. Não naquela manhã. - Moço? Tem um trocado? - Tenho. Óculos escuros! Óculos escuros! Começa a sair uma ameaça de sol. Depois de uma hora de meia entre São Cristóvão, Rebouças, Lagoa e Leblon acorda sem nenhuma baba no canto da boca, menos pessoas ao seu redor e com o Ipod desligado. Roncou muito, com certeza. Desce ali perto do Shopping Leblon, começa o desfile de algumas beldades a caminho das lojas da região e dondocas com seus cachorrinhos fofinhos. Nada mudou, metade foi preso e outra ainda está solta em todos os jornais. Um terço vai sair daqui a pouco de qualquer jeito. Procura alguma birosca descente para comer algo. Um dona matrona tossindo muito vai de um lado ao outro do balcão atendendo alguns clientes que pareciam estar ali todas as manhãs. É claro que seria o último a conseguir seu pedido satisfeito. Desiste do pão na chapa e tão pouco do mixto quente. - Por favor, um joelho e uma Coca. - Joelho? - Joelho. Depois de atender outros dois clientes. - Já vou trazer! Dois chocolates quentes e queijo quente depois. - O que mais? - Uma Coca... Três tossidas depois e depois do último espirro se dá conta que este foi o pior joelho que já comeu. - Japão? Onde já se viu um negócio desses? Ainda bem que o dia está só começando. e comentários... 8.8.07
Pensou no caminho parar na Menescal para comer um kibe ou uma esfirra, fazia muito tempo que não degustava da farta comida árabe bem no meio de Copacabana. Morava ali na esquina da Santa Clara com a Barata Ribeiro, todo sábado de manhã pulava da cama cedo para pegar a primeira bandeja dos salgados que fazem até hoje no Balbek. Enfim, chegando no ônibus da Integração, parando na estação Siqueira Campos, viu a hora e percebeu ser muito tarde para a Galeria Menescal ficar aberta. Sabia da janta em casa, mas precisava matar não a fome, mas uma saudade que só havia ali, onde morou tantos anos.
Muita coisa mudou desde então. Hoje está casado, ainda não tem nem pretende mais ter filhos, possui um emprego melhor, engordou uns quinze quilos e resolveu a cerca de três anos jogar em um time de rugby que treina duas vezes por semana ali na praia.Todos os dias tem que enfrentar a Barata Ribeiro congestionada para chegar no trabalho. Poderia até ir pela Lagoa tomando outra linha de ônibus, mas acaba fazendo este trajeto diariamente, sem hesitar. Engraçado como quanto mais nos afastamos de casa mais falta sentimos dela. Era um solitário, quase um eremita burguês da cidade grande. A diversão era amizades voláteis, jornaleiros, porteiros, putas, vizinhos, policiais e um mendigo que sempre dormia ali por perto e acabava ficando no mesmo caminho para quando ele tomasse o ônibus para o trabalho. Continua a pé, tem lido muito mais, ama sua esposa, sente a mesma falta da família, tem mais amigos, fica mais em casa, bebe mais, dorme menos, quer emagrecer, tem um bicho de estimação depois de anos, deixou a barba crescer, ri menos da vida mas nem por isso deixa de sorrir, cada vez que passa por Copacabana. e comentários... 26.7.07
8.5.07
Quase não reconhece mais a esquina onde morava. O comércio mudou um bocado. A casa de sucos do lado da Modern Sound enfrenta agora a concorrência do Cafeína e outra lanchonete famosa na outra esquina. Parece que até os próprios empregados que trabalhavam ali não são mais os mesmos, como se de repente o dono resolveu largar o negócio e vender ao primeiro que lhe aparecesse para tocar o ponto. Contrariando as mudanças, foi comer o joelho com caldo de cana no mesmo lugar, afinal, cliente antigo não se rende por nome famoso ou letreino bonito qualquer. Igual ao árabe que tem na Galeria Menescal, esse não tem igual. Costumava pular da cama cedo sábado de manhã só para pegar a primeira leva de kibes e esfirras do Balbek. E essas são apenas as lembranças gastronômicas, que não chegam nem a metade da lista (Carangueijo, Bar Bico, Cervantes...). Basta passear neste cenário aqui para quase uma vida vir à mente:
foto: http://www.flickr.com/photos/jandiro e comentários... 1.2.07
16.1.07
Há certas coisas que não mudam, por mais que se passe o tempo. A gente cresce, aprende, fica um pouco mais velho e barrigudo, mas não adianta, uma teimosia cretina e uma espécie de orgulho da sabedoria que possui nos impele a fazer a mesma porcaria de novo. Se você sabe que misturar algumas bebidas vão encurtar a sua noite por que com mil diabos acabamos repetindo as doses. Seria o entorpecimento dos líquidos envolvidos? Duvido muito. Orgulho, puro e mesquinho orgulho, por não darmos o braço a torcer que ainda estejamos errados, ou de repente, simplesmente ainda não aprendemos a lição. Basta olhar para o seu movimento pela manhã. Acreditar que alguns cinco minutos irão fazer diferença nesse sono todo é pura ilusão. Por que a gente não pega e admite: - Fudeu! Tenho que acordar... - Calma, fica mais um pouco. - Não, tenho que levantar! - Não adianta correr, você sabe que vai se atrasar mesmo no caminho. - Mais um motivo para levantar logo, não acha? - Ah, sim, você vai no banheiro né? - Vou logo antes de todo mundo acordar. - Tá, tá, aproveita e fecha mais ali a janela. Odeio esse sol de manhã na minha cara. - Tá, tá, tá... - Beijo? - Bom dia querida. Uma meia hora depois, já de banho tomado. - (bem baixinho) Baby? Tenha um bom dia... - (sonolenta e grogue) Tá... vai com Deus, cuidado tá. Saindo assim de casa parece que o meu emprego é até de policial; apesar de que, em se tratando de Rio de Janeiro uma bala perdida, atropelamento ou merda de cachorro no chão tudo pode acontecer. Claro que não estou nem aí para essas coisas, pois caso contrário nem sairia de casa. Minha avó sempre fica receosa quando vê o noticiário. Ela mora na minha cidade natal, veio aqui na cidade poucas vezes, mas sabe como é que é, junta aquele carinho de vó, cabeça de cidade pequena, síndrome do pânico e todas as neuras que a metrópole fez para o ser humano. Admita, você também se sente refém quando sai à rua, seja por um carro atravessando o cruzamento, seja por um desconhecido te olhar estranho. Tente sorrir, ás vezes funciona, ou faça como eu faço, não olhe nos olhos das pessoas na rua. Finja que está apressado ou coisa parecida.Finja ser meio maluco, de vez em quando fale sozinho - ninguém mexe com pessoas que falam sozinhas. Não se acanhe porém se alguém te puxar conversa na fila do banco ou dentro do elevador, ou mesmo no meio da rua. Tem mais gente desesperada por aí do que imaginamos, mas na maior parte das vezes não querem só desabafar ou perguntar como foi seu dia, talvez um trocado para café, pão ou passagem para Alcântara como veremos a seguir: - Oi, com licença... - Sim, tudo bem? - aconteça o que acontecer, a educação sempre! - ...desculpa incomodar, mas eu perdi meu dinheiro, fui assaltado, tô só com a roupa do corpo. - Ahã... - pronto, ele vai dar o bote - fale...! - É que eu preciso de uns trocados para passagem de volta para Alcântara. - Alcântara? - É... - pronto, você caiu! A mesma ladainha de sempre de quem faturar. Poderia até ser verdade. Eu tinha dinheiro, mas duvido que teria troco para cinquenta e já eram mais de oito da noite. O dia passara rápido e eu tinha uma esperança de chegar cedo em casa. Este ser em questão sempre perambulava por ali. Pra falar a verdade era a segunda vez que vinha com esse papo para cima de mim, só não lembrava na sua mente cheia de cana que havia tentado esta história antes. Outro dia mesmo vi passando e com o mesmo papo para os transeuntes naquele ponto. Óculos com lentes engorduradas, barba por fazer, camisa de algum show de reggae ou coisa parecida, bermuda, sempre de bermuda, chinelos de couro e andar trôpego. Como julgar alguém assim. - Desculpa meu camarada, mas eu só tenho o da minha passagem. - Qualquer trocadinho serve. - Não tenho! - Obrigado. Menos um otário no mundo, mais um vagabundo sóbrio esta noite. Chega em casa mal humorado, poderia ter falado qualquer outra coisa, tentar mudar a vida de um infeliz, mas não. Meu egoísmo foi maior que minha benevolência, cada um com seus problemas, já tenho muito para resolver e ninguém nunca me ofereceu uma mão em qualquer coisa mesmo. Algum tempo depois viu o mesmo vagabundo andando pela rua numa tarde ensolarada, bem no meio da semana, mas em outro lugar da cidade. Usava outras roupas, ainda bermuda, mas a barba aumentou e o cabelo parecia mais sujo que antes. Gastei mais uns três minutos ou menos me sentindo culpado por algum motivo. De repente uma cachaça não resolve nada, mas a gente não isso todo dia com outras coisas até muito piores. Cigarros, mentiras, pornografia, televisão, cama, farinha ou preguiça. Cada um paga por aquilo que te satisfaz. Qualquer esmola é bem vinda, mas nem todo mundo tem mesmo coragem para admitir isso. e comentários... 10.12.06
Ano Novo, layout novo. Tudo bem, não mudou tanto assim, mas já é alguma coisa, não? e comentários... 29.11.06
Está ficando muito caro comer por aqui. Café da manhã reforçado, um suco talvez, mas algo rápido de se fazer, afinal de contas, as cozinhas em Copacabana não costumam ter lá muito espaço. Por que comigo seria diferente? Só faltaram umas fatias de bacon, fora isso dá para segurar até umas três da tarde. Na volta para casa, Balbek ali na Menescal com certeza! e comentários... 22.11.06
Por que o trânsito de Copacabana está cada dia mais caótico? Não tem agora duas estações de metrô? Será o fim de ano? A chegada do Verão? Delírio deste autor? Corrijam-me se eu estiver errado. e comentários... 13.11.06
Voltava para casa cansado depois de quase 14 horas gritando pelos quatro ventos toda sorte de diabo quanto pudesse evocar. Nunca acreditou no mundo fascinante que aprendeu na faculdade e já sabia mais cedo ou mais tarde cair em si e ver com seus próprios olhos a mentira deslavada que era a vida, algo medíocre e futilmente pacato. Pensou ter visto aquele rosto em algum lugar. Na verdade era igual a uns tantos outros de todos os dias, no mesmo caminho, talvez no mesmo ônibus e naquela mesma semana. Já não guardava nomes e rostos há muito tempo. O celular toca e disse estar chegando em casa para a esposa. Mentira, era só para acalmá-la e fazer esperar porque esta noite iria finalmente jantar com ela depois de tanto tempo. Mal dava conta das horas, tem chegado em casa quando todos já foram dormir, e sai antes que alguém acorde. Definitivamente está de passagem por ali. Ela entendeu e disse esperar. Alguns minutos depois o ônibus quebra na altura da Hilário de Gouveia, na frente do Pão de Açúcar. Excelente, longe demais do metrô para chegar a tempo e talvez perto o suficiente daquele Pub logo ali na frente. Como se aquilo pudesse ser chamado de Pub. Ali, na Paula Freitas. Aliás, há muito tempo não se tem um bar decente neste bairro. Essa revolta toda era porque antigamente a todo lugar que frequentava por ali os garçons sabiam seu nome e sempre tinha algum freguês que sorria e puxava conversa, gritava do outro lado do balcão e até pagava um. Dias de jogos do Flamengo era na esquina da Santa Clara, perto de onde morava. Gostava de rir sozinho com a desgraça alheia. Claro que é vascaíno. Resolve visitar o velho apartamento. Devia ter alguma conta para pagar, e claro, atrasado como todo mês. A família resolveu não alugar, então ficou ali para qualquer coisa. De repente poderiam vir visitá-lo e ficar em Copacabana. Assim não precisariam encarar a mulher que escolheu nem a família bastarda que seus pais nunca gostariam de ter. Ele achou melhor viver do que padecer sozinho dentro de um apartamento todo feito conforme o gosto alheio. Tirando a geladeira e a televisão, todo o resto fora idéia deles, seus pais. Não os culpa, mas também sente remorso por não ter sido tão duro naquela época quanto fora agora. O porteiro ainda se lembra dos papos. A conversa é curta como de costume. Abre a caixa de correio, pega um maço de envelopes, enfia na bolsa e passa um vizinho olhando torto com quem diz "quem é essa pessoa mexendo nas caixas de correio?". Quase cospe e grita alguma besteira, afinal de contas passou mais de seis anos ali aturando as putas, travestis, velhos em cadeiras de rodas e toda sorte de gente que vive no bairro. Nunca reclamou. Aquilo não fazia diferença alguma. Saiu do prédio tão rápido quanto entrou. Não foi nem ao apartamento ver as coisas. Ainda tem muitas coisas lá. Acho que nunca vai se desfazer delas, como tantas outras coisas que nunca irá se desfazer ao longo da sua vida. Isso inclui pessoas principalmente. Pegou o metrô e finalmente chegou em casa. Semana que vem conta outra história. e comentários... 11.11.06
18.10.06
E PORQUE COPACABANA PAROU ONTEM DE MANHÃ Eram umas oito da manhã. A linha 154 que costumava fazer seu trajeto em menos de 20 minutos perdeu mais de uma hora de meia até chegar ao seu destino. Perdeu, porque a maior parte deste tempo ficou praticamente parada na Barata Ribeiro. Qualquer um que quisesse ir de Copacabana a Ipanema teve a infeliz intervenção da Polícia Militar ali pela altura da rua Rainha Elizabeth. Era mais uma blitz que tumultuava o trânsito da manhã, que já é suficientemente caótico neste horário.
De tudo parecia uma blitz legal, seguindo o procedimento padrão, mas por outro lado completamente indevida. Não se sabe o por que deste horário, somente o efeito que ela produziu, um caos que começou na Rainha Elizabeth e se estendeu até a Santa Clara. Infelizmente não deu para captar uma boa imagem, a máquina digital não estava a mão, mas valeu gastar alguns créditos do celular para captar este absurdo no bairro. Aliás, não foi só Copacabana que parou. Nosso presidente resolveu fazer um comício bem na terça feira, final da tarde, no Centro. Ônibus e carros não podiam trafegar pela Rio Branco, provocando outro congestionamento monstro na cidade. O metrô ficou lotado como se fosse o reveillon de Copacabana. Milhares de trabalhadores de verdade querendo voltar para casa e um bando de vagabundo gritando o nome de uma praga que nos inferniza a quatro anos e que pelo jeito vai continuar por mais outros quatro! fonte: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2006/mat/2006/10/18/286141766.asp Por falar em trânsito, a estrela internacional Robbie Williams também vai ajudar bastante nesta quarta feira. O show que fará hoje na Apoteose irá mudar completamente o tráfego em muitas ruas do Rio. Se a chuva que começou pela manhã não for suficiente para parar esta cidade pelo menos a baderna está garantida! Confesso que nunca ouvi uma música dele, mas depois disso vou ter menos motivos ainda para pensar o contrário. fonte: http://oglobo.globo.com/rio/transito/mat/2006/10/17/286127615.asp No Rio de Janeiro é assim, se não são as autoridades acaba sendo um pinto de fora para foder a nossa paciência. Carioca sofre! e comentários... 12.10.06
Drummond, meu cúmplice São umas sete e quarenta e cinco da manhã, aqueles preciosos quinze minutos antes das oito que a gente ainda se dá ao direito de cochilar antes de enfrentar o dia. É uma ilusão acreditar que quinze minutos podem fazer alguma diferença para a vida da gente. Na verdade fazem, é o que separa o momento em que um piano cai na sua cabeça ou um carro pode te atropelar, basta parar no meio do caminho e se distrair com algo para que a diferença faça... diferença. Levanto correndo, visto uma bermuda e cato minhas tralhas. Dou um beijo nela e meio sonolenta me respode. Às vezes saio para trabalhar direto da casa dela, quando deixo alguma peça de roupa limpa lá, ou quando realmente saio atrasado e acabo me virando com o que tem à mão. Na maior parte das vezes acabo saindo tarde tanto da casa dela quanto da minha. A distância não é grande, mas as distrações são diversas. Desviar de bosta de cachoro, manchete na banca de jornal, papo com o paraíba da lanchonete, um olá para o Salvador (da banca de jornal), uma bunda (ou duas), comprar leite, esquinas e uma obra no meio, idosos no caminho ocupando a calçada, mendigo, um puto na bicicleta te corta ou quase te atropela, pedras, sinal, carros, ônibus e finalmente o porteiro. Chegar em casa coincide com uma besta vontade de ir ao banheiro. Vontade que dá já no meio do caminho, mas acabo pensando em outra coisa e esquece a tempo de pegar o elevador, torcendo para não encontrar com nenhum vizinho que atrase o percurso. Acabo saindo de casa sem tomar café, até porque um copo de leite ou suco é todo meu café da manhã, coisa da dieta. O banho fora rápido, tomo frio para não ficar de medo da água logo e já sair sem demora. Normalmente a parte da manhã está quente e uma coisa acaba anulando outra. Já quando se coloca o pé na rua todo o frescor do desodorante e da água fria virou suor. Não cheira mal, mas as costas molhadas incomodam, principalmente quando levo a mochila. Volta e meia procuro passar perto destas lojas com ar condicionado ou ventilador que escapa pela porta, um alívio curto mas que em quantidade acaba surtindo efeito. Dentro do ônibus não é diferente. Janela, sempre na janela. Não adianta muito também, o vento que vem da rua é sempre quente. O ponto onde vou descer é longe do trabalho, antes era mais perto, mas também era em outro bairro, pegava o metrô e não tinha metade do aborrecimento que tenho hoje. Uma distância que se faria em menos de dez minutos se transforma em trinta, ou mais, dependendo da hora em que saio ou da paciência dos cariocas em seus carros. Uma moto, isto resolveria minha vida e ainda por cima traria muitas alegrias. Desce do ônibus e já começa a se distrair de novo. Mais bancas de jornal, carros, bundas, algumas motos, ruas, procura sombra que o sol já está mais quente, não tem lojas apenas o correio e não tem mesmo, pára em uma loja de conveniência do posto de gasolina - que tem ar condicionado - compra um suco de caixinha ou então uma coca light, a última faz mais efeito e a primeira realmente alimenta. Tenta mais um banca de jornal, normalmente dou sorte porque sempre chega em uma banca e não em outra. Apenas dia sim dia não, porque não sou um cachorro que não pode ver poste que quer regar. É quase. E finalmente dou de cara com o portão do casa, sim, meu trabalho é em uma casa, bairro residencial. Aperta o interfone e consegue respirar, porque para variar, tem uma ladeira no caminho - não é muito íngreme, mas depois de algumas bons quarteirões até meio fio cansa. Primeira satisfação: ar condicionado, vento gelado no suor é algo indescritível, quase sexual. Segunda satisfação: às vezes chego na minha sala e não tem ninguém, isso dá uma falsa impressão de que cheguei cedo, acabo também escapando de alguma reunião ou problema psicológico alheio. Terceira satisfação: chegar depois das 10 faz a manhã passar rápido, até você finalmente fazer algo produtivo já é hora do almoço, mais um motivo para postergar para a parte da tardem por mais importante que seja, ou sacar o telefone e ligar para o fast food mais próximo que tiver, torcer para que este dia não seja mais uma daquelas viradas em que você vivia tendo. O dia passa e tudo o que você pensa é naquela cama macia com meu amor deitada, o gato no pé, o ventilador/ar condicionado ligado, um filme talvez e que o dia seguinte seja sábado, porque segunda feira é definitivamente o pior dia da semana. Sim, de repente eu gosto mesmo de reclamar da vida. Ainda bem que moro em Copacabana, qualquer coisa vou pro calçadão e peço uma cerveja ao lado de Drummond. e comentários... |